domingo, 21 de maio de 2006

O acaso a se esconder


Ela era ela era ela no centro da tela daquela manhã
Tudo o que não era ela se desvaneceu
Cristo, montanhas, florestas, acácias, ipês
Pranchas coladas na crista das ondas,
as ondas suspensas no ar
Pássaros cristalizados no branco do céu
E eu, atolado na areia, perdia meus pés
Músicas imaginei
Mas o assombro gelou
Na minha boca as palavras que eu ia falar
Nem uma brisa soprou
Enquanto Renata Maria saía do mar
Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzóis
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus
Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus
Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar
Mas que danado fui eu
Enquanto Renata Maria saía do mar
Renata Maria - Chico Buarque e Ivan Lins
Porque essa música muito me causa. Mas começo a não sentir mais nada. E à minha lágrima que sozinha cai, eu digo adeus. Digo adeus por não saber mais. E esse é o vazio que eu sinto. O vazio que eu sinto estando ao seu lado. E essa é mais uma das nossas músicas. E eu, tendo tantas coisas felizes a escrever, só consigo sentir que estou fazendo bem quando estou escrevendo de solidão.

4 comentários:

Rafael disse...

ana, acho q a gente tá precisando conversar... tô te achando meio pra baixo e isso não é bom... vc não é assim... sinto que preciso acender um fio de esperança nessa história... ou pelo menos um pouquinho de alegria que seja! =)
força, tá? fica bem!
beijões!!!

carlos saraiva disse...

carol: o ato da escritura é absolutamente solitário. não é por isso que o tema deve ser a solidão. mas, se for, deixa vir. como a felicidade também. como nós, todos os sentimentos têm o mesmo desejo e direito de existir.

beijo,

Jullyana disse...

Ei Carol!!!!!!!!!!
Lindo, amo essa música tb!!!!!!!!
Força pra nós!!
beijos querida!!!!!!!!!!

Anderson disse...

Adorei essa imagem
Abraço